Volta às aulas Como se adaptar a nova escola, professores e amigos

Dados do Censo revelam que cerca de 20% dos alunos abandonam o colégio entre o ensino fundamental e o ensino médio por problemas de adaptação.

As férias estão acabando e para aqueles que estão iniciando a vida escolar, mudando de escola ou passando do ensino fundamental para o médio, essa transição pode provocar medo e insegurança. Dados do Censo Escolar 2012 mostram que cerca de 20% dos alunos matriculados nos sistemas público e privado de ensino abandonaram as salas de aula no ano passado, principalmente por problemas relacionados à dificuldade de adaptação entre uma fase e outra da vida escolar.

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Na transição da primeira para a segunda etapa do ensino fundamental, por exemplo, ocorrem muitas mudanças. Em alguns colégios, o horário passa a ser obrigatoriamente matutino; a professora que criava laços afetivos com cada aluno cede lugar a professores de várias matérias; e o grau de exigência aumenta.

Segundo Elsa Ennes, orientadora educacional do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), em Botafogo, esse período de mudanças deve ser muito bem administrado não só pela família, como também pela escola. “Os professores, a orientadora educacional e a psicóloga devem acompanhar os alunos do 6º ano nas primeiras semanas, fazendo a apresentação do colégio para que o aluno se familiarize com a nova rotina. Com os alunos do 1º ano do Ensino Médio, a atenção deve ser diferenciada. Devemos mostrar como o vestibular pode ser importante para suas vidas”, explica Ennes.

O que os especialistas dizem

Para a orientadora educacional, essa dificuldade de adaptação tem reflexo direto no desempenho escolar: “O aluno que não está adaptado sofre muito, se deprime, se isola e tem baixo rendimento. Com isso, começam as fugas: sono intenso, faltas e atrasos sucessivos, desorganização. Ou seja, o aluno faz tudo para não estar na sala de aula.”

A especialista diz que os pais devem ser parceiros da escola para ajudar na adaptação do filho. “É preciso encorajá-los, dando oportunidades para que ele se expresse, além de reforçar a confiança no colégio escolhido”, sugere. Ela recomenda ainda que os pais tenham cuidado para não passar sua ansiedade para o filho, pois faz com que ele se sinta inseguro. “É preciso deixar bem claro que seu filho está crescendo, e este é um processo natural no curso da vida”, argumenta a orientadora educacional do CIC.

Como se livrar do peso das mochilas?

Todos os anos, o assunto recorrente entre pais e mães com filhos em idade escolar é o peso da mochila e os males que isso causa para a saúde. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) comprovam que 85% da população sofrem de dores nas costas causadas pelo uso incorreto da mochila durante a infância e a adolescência. Segundo Adalto Lima, chefe da Ortopedia do Hospital Badim (RJ) e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia, a quantidade de material escolar pode comprometer a postura da criança e agravar problemas já existentes como a hiperlordose, hipercifose e a escoliose. O médico recomenda: “a regra básica para não piorar as complicações na coluna é nunca deixar que o peso da mochila ultrapasse os 10% do peso corporal da criança, conforme recomenda a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.”

Buscando dar uma solução para o problema, algumas escolas disponibilizaram armários para os alunos guardarem seu material. É o caso do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), em Botafogo. Monica Carvalho, coordenadora do Ensino Fundamental, conta que os pais concordaram com a atitude, para minimizar o problema: “Os livros e cadernos permanecem na escola, nos armários disponibilizados em cada sala de aula. Esse material só é enviado na mochila em caso de tarefa ou para alguma situação relacionada a estudo”. Mônica Carvalho diz ainda que a escola incentiva o uso de mochilas com rodas e que os alunos usem as rampas para chegarem as salas de aula.

Dicas do ortopedista

  • cuidado com a postura. É importante sempre usar as duas alças da mochila, para evitar a alteração postural, a chamada escoliose, e manter-se ereto;
  • Para àqueles que usam mochila de rodinha, atenção com a altura do carregador, que deve possuir altura suficiente para manter as costas retas;
  • livros, cadernos e pastas maiores devem ser colocados na parte posterior, a que fica em contato direto com as suas costas. Encostar o máximo possível à mochila nas costas ajuda a distribuir melhor a carga;
  • objetos menores devam ser distribuídos nas bolsas laterais, sempre tentando equilibrar o peso.

Notas baixas? O problema pode ser de saúde

Falta de atenção, desinteresse pelo assunto e dificuldade no aprendizado, o que acaba refletindo em notas baixas. Muitas dessas situações são causadas por problemas de visão e audição, que muitas vezes passam despercebidos.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia revelam que 7% das crianças que entram no Ensino Fundamental possuem alguma dificuldade de visão. A Sociedade Brasileira de Otologia estima que 2% das crianças em idade escolar sejam portadoras de deficiência auditiva que exigiriam o uso de aparelhos de amplificação sonora. Segundo a organização, de 10 a 15% das crianças em idade escolar são portadoras de deficiência auditiva leve, ou seja, apresentam até 30% de diminuição auditiva.

Glauber Cavalcanti, oftalmologista do Hospital Balbino (RJ), membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, alerta que a falta de sintomas e de exames regulares é um dos motivos de o Brasil hoje ter cerca de 30 mil crianças cegas e mais de 80 mil com baixa visão. O especialista diz que os pais e professores devem ficar atentos para diagnosticar o problema. “Se a criança tomba a cabeça para um dos lados quando presta atenção em algo, tem dor de cabeça ou nos olhos frequentemente, esfrega os olhos após esforço visual e fecha um dos olhos em locais ensolarados é sinal de que pode estar com deficiência visual”, alerta o médico.

Já o otorrinolaringologista Fernando Portinho, chefe do serviço de Otorrinolaringologia do Hospital São Francisco da Tijuca (RJ) e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, assegura que quanto mais cedo os problemas auditivos forem descobertos, menores serão as chances dessas crianças desenvolverem problemas na fala, ou até de ficarem surdas. “Repare se o seu filho troca fonemas na escrita, possui dificuldades de aprendizado, não reage a barulhos fortes ou se mostra isolado. Esses sintomas podem ser sinais de problemas de audição”, explica Portinho.

Elsa Ennes, orientadora educacional do Colégio da Imaculada Conceição (CIC), em Botafogo (RJ), diz que casos de problemas auditivos e de visão são bastante comuns entre as crianças, que costumam ficar dispersas e agitadas diante dessas dificuldades. Ela conta que, no CIC, os professores quando percebem alguma alteração comunicam ao Serviço de Orientação Educacional. “Acompanhamos mais de perto esses alunos e, posteriormente, convocamos a família para falar de nossa suspeita e sugerir acompanhamento de profissionais de saúde. A família é mais uma vez convocada pela equipe do colégio para dar retorno com relação ao diagnóstico médico”, explica Elsa Ennes.