Pesquisador alerta sobre cuidado com os cães
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Escrito por Lumika   
Sex, 08 de Outubro de 2010 21:12

Florianópolis precisa de uma vigilância e de uma legislação mais eficientes no que diz respeito ao transporte de animais domésticos pela Ilha. É o que defende Mário Steindel, membro do Laboratório de Protozoologia há 27 anos.  Os casos de leishmaniose canina na região do Canto dos Araçás, na Lagoa da Conceição, são o motivo que instigou o pesquisador a fazer o alerta. “Não dá para andar com um cachorro pra cima e pra baixo. As pessoas não fazem isso por maldade, é por costume e desconhecimento, mas a colaboração de todos é importante com relação ao controle da doença. Quando se tem um animal, deve-se dar a ele a devida proteção e cuidado”, explica Steindel.


A leishmaniose canina é uma doença parasitária, transmitida aos cães pela picada do flebótomo – inseto conhecido como mosquito-palha – infectado. O parasitismo visceral acomete o fígado, o baço, a medula óssea e os linfonodos, mas também pode se manifestar na pele desses animais. Devido a essa característica, o flebótomo se infecta facilmente quando suga o sangue do cachorro. Os mosquitos infectados podem picar o homem e expandir o ciclo da doença. Steindel diz que um surto de leishmaniose visceral humana é sempre precedido por um surto de leishmaniose visceral canina.

Até agora, Santa Catarina não registrou nenhum caso humano autóctone – proveniente do próprio local – da doença, embora desde 2004 o Laboratório de Protozoologia da UFSC tenha diagnosticado quatro casos importados. No homem, a leishmaniose visceral tem caráter grave. Se as pessoas não são diagnosticadas e tratadas a tempo, o índice de morte chega a 90%. Em um lugar onde a doença não é comum os médicos podem ter enorme dificuldade para fazer o diagnóstico correto.

Se os cachorros forem tratados, eles melhoram o quadro de saúde,  mas continuam sendo fonte de infecção para o flebótomo e a possibilidade de transmissão segue existindo. Steindel diz que diante de uma situação dessas é necessário evitar que o inseto se infecte, fazendo o corte do ciclo. Dois caminhos existem: acabar com o mosquito – tarefa difícil, pois os seus hábitos não são conhecidos em profundidade – ou sacrificar os cães doentes.

“O problema de eliminar os cães é a resistência das pessoas, que muitas vezes não concordam com isso. Aí acabam acontecendo algumas irresponsabilidades, como pegar o cachorro doente e levá-lo para outro lugar. Não se pensa na possibilidade que se pode estar introduzindo um foco em um novo local. Isso complica a questão da doença em termos de saúde pública”, alerta o pesquisador.

Para maiores informações sobre a leishmaniose canina, você pode acessar o site da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina.

 

Última atualização em Qua, 06 de Abril de 2011 18:09
 

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