Pesquisas ajudam a prevenir desastres em SC
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Escrito por Helena Stürmer   
Sex, 25 de Novembro de 2011 12:43

 

 

 

Sejam pequenos alagamentos no oeste, ou situação de emergência no litoral, não é de hoje que Santa Catarina sofre com as épocas de chuva e consequentes cheias dos rios em seus municípios. A importância que se deu na mídia a estes fenômenos, sobretudo após a catástrofe de 2008, desencadeou uma série de pesquisas sobre desastres naturais, que agora se intensificaram por conta dos acontecimentos recentes. A Universidade Federal de Santa Catarina contribui com a Defesa Civil através de projetos de mapeamento das regiões atingidas, avaliação dos tipos de desastres naturais e alternativas habitacionais para quem perde suas casas nessas ocasiões.

 

 

 

 

Uma das contribuições vem do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da UFSC (CEPED), uma instituição multidisciplinar – que envolve alunos das áreas de engenharia, arquitetura, geologia, geografia, psicologia, assistência social e sociologia - coordenada pelo professor de Engenharia Civil, Antônio Edesio Jungles. Quando aconteceram os desastres em 2008, deixando 99 municípios em situação de emergência, e 14 em estado de calamidade pública, o grupo de 39 profissionais, incluindo técnicos, professores e alunos, começou avaliações das áreas de deslizamentos através de elaboração de três tipos de relatórios: avaliações geológica e geomorfológica, avaliação de danos envolvendo edificações e avaliação dos aspectos humanos e sociais das famílias atingidas. Através deles, constataram que a catástrofe aconteceu em decorrência do elevado nível de saturação do solo em função do longo período de chuva, somado à falta de políticas públicas de prevenção e orientação sobre o seu uso. Esses efeitos podem ser minimizados através de uma preparação adequada em conhecimento geomorfológico e mapeamentos das áreas de risco.

 

O mesmo objetivo teve a pesquisa “Análise dos deslizamentos de 2008 no entorno do Morro do Baú: caracterização geológica- geomorfológica do Ribeirão do Arraial em Gaspar”, coordenada pela doutora e professora do Departamento de Geociências, Maria Lucia de Paula Herrmann. Além de ter mapeado a região, desde 1995 ela levanta dados estatísticos para a confecção do atlas dos desastres naturais de Santa Catarina ocorridos no período de 1980 a 2010. A atualização dele vem acontecendo há sete anos e pretende-se terminar uma nova versão até o final de 2011. Assim como a pesquisadora, o CEPED também planeja entregar à Defesa Civil de Santa Catarina um atlas de desastres naturais de todos os 27 estados brasileiros. Durante os estudos, o grupo verificou que 91% dos desastres estiveram relacionados com deslizamentos e 40% das áreas visitadas apresentava possibilidade de os escorregamentos continuarem acontecendo.

 

 

Para a pesquisadora Maria Lucia e a bolsista do CEPED Diane Guzi, a enchente de setembro deste ano não alterou os possíveis resultados dos projetos que estão sendo desenvolvidos. Isso porque à medida que os desastres ocorrem, as pesquisas vão tornando-se mais direcionadas para aquele caso específico. O deslizamento é um exemplo. Começaram a estudar mais esse tipo de catástrofe a partir de 2008, porque até então nunca haviam presenciado um acidente natural naqueles portes e agora são necessárias novas informações sobre o assunto. A professora acredita que é importante realizar pesquisas sobre o Meio Ambiente, pois elas poderão nos indicar onde e como agir em relação aos desastres naturais.

 

Casas sobre garrafas PET

 

Outro projeto em realização surgiu de uma parceria entre bolsistas de Arquitetura da Unisul e a professora Lisiane Ilha Librelotto, da UFSC, que propõe uma alternativa habitacional para quem sofre com as catástrofes. O projeto desenvolveu uma casa, construída com dois containers dobrados em L e formando um T, onde o desafio é aliar funcionalidade, sustentabilidade e estética, sem deixar de lado o aspecto social. A ideia ainda é colocar essa casa em cima de um “colchão de ar” feito de garrafas pet, para que em casos de inundação, a casa flutue. A iluminação funcionaria através de energia solar, em tubos metálicos e, para o sistema de encanamento, o ideal seria que fosse feito com materiais mais flexíveis como a mangueira, assim não quebrariam durante a enchente. A princípio, o projeto está no papel e existe a intenção de apresentá-lo ao governo para que receba verba e seja efetivado. O orçamento feito para os dois containers, já devidamente cortados e soldados, está em torno de 21 mil reais, além de o transporte de Navegantes (origem) para Florianópolis custar mil reais.(confira no infográfico abaixo)

 

 

 

 

 

 

Leia também: Grupos de pesquisa estudam desastres naturais

Última atualização em Seg, 26 de Março de 2012 18:33
 

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