Pesquisadores estudam a realidade das escolas do campo na Região Sul
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Escrito por Tiago Pereira/mapa Lucas Goulart   
Sex, 25 de Novembro de 2011 12:25

A população urbana compreende 84,3% do total de brasileiros na atualidade, de acordo com o Censo do IBGE de 2010.  Ou seja, apenas 15,65% da população ( aproximadamente 30 milhões de pessoas) vivem em situação rural. Na região Sul, esta porcentagem é ainda menor, caracterizando 15,07% do total de habitantes. Para o Instituto de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial Sustentável da UFSC (EduCampo), esses números mascaram uma realidade diferente e acabam gerando consequências prejudiciais para diversas áreas, entre elas a educação. Os pesquisadores consideram que como a análise é feita a partir de dados como o número de habitantes de determinada cidade, deixa de considerar aspectos importantes como a participação da atividade rural na economia das cidades e regiões. Se estes dados fossem considerados, os números seriam outros.

 

Baseados nestes pressupostos, a equipe da UFSC  busca, através do projeto intitulado Observatório da Educação, promover uma reformulação no ensino das áreas ‘rurais’ e  propor uma mudança na forma de atuação dos educadores na Região Sul. A pesquisa é desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul,  e da Universidade Tuiti do Paraná (UTP).

 

 

 

“A formação dos docentes que atuam no meio rural tem de ser diferenciada, para que a educação também seja diferenciada. Acreditamos que a formação do professor, que a sua prática, o seu nível de leitura, condições de letramento e os conhecimentos dos processos de alfabetização e letramento de estudantes interferem bastante na aprendizagem dos alunos”, destaca Sonia Beltrame, professora do Departamento de Pedagogia da UFSC e coordenadora do projeto. Após o diagnóstico da realidade escolar, os pesquisadores pretendem desenvolver um processo de intervenção pedagógica voltado para os professores e suas formas de aplicar o conteúdo relacionados à realidade dos povos do campo.

 

Até 2014, a equipe visitará escolas em áreas rurais de Santa Catarina para monitorar a atuação dos educadores e intervir pedagogicamente, quando necessário, alertando para a necessidade de se adaptar o letramento e a formação dos professores.  Atualmente, a pesquisa é realizada em cinco municípios: Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Curitibanos, São Bonifácio e Campo Belo (confira no mapa)

 

 

 

 

 

Resultados


Durante as visitas, os pesquisadores fizeram algumas constatações, como a presença majoritária de professores com contrato de trabalho temporário.  “ Geralmente são pessoas que recém concluíram a graduação. Os cursos de formação de professores não dão a devida atenção à realidade rural  e muitos professores chegam às escolas, com diferentes realidades, sem conhecer o básico dos conteúdos que se relacionam ao trabalho, cultura e vida no campo”, afirma Priscilla Freitas, doutoranda em Sociologia e integrante da equipe do Observatório.

Sonia Beltrame explica que uma questão que preocupa  os educadores do campo é a nucleação. Nesse processo, acontece o fechamento das escolas das localidades e os alunos são transportados diariamente para uma outra, normalmente situada num centro urbano. “ Isso tem  causado muitos transtornos para os  alunos que precisam enfrentar longas distâncias todos os dias, além de desestruturar culturalmente as comunidades que têm a escola como referência para sua sociabilidade”, destaca.

Os pesquisadores acreditam que após a conclusão dos estudos poderão contribuir de forma efetiva para a fundamentação de novas – e mais específicas - políticas públicas de educação. “Será possível descrever indicadores que possam fundamentar políticas públicas de educação voltadas à educação no campo, marginalizada durante muito tempo na história da educação brasileira”, garante Sonia.

Última atualização em Sex, 25 de Novembro de 2011 13:21
 

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