Alunos do Pibid-UFSC ensinam química em escolas públicas
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Escrito por Felipe Costa   
Seg, 07 de Novembro de 2011 11:37

 

 

 

Entre as mil instituições com melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, apenas duas pertencem às redes públicas municipal e estadual. Marília Reginato de Barros, de 19 anos, decidiu que seria professora justamente para ajudar a mudar essa situação. Ela começou o bacharelado em química, mas no primeiro semestre do curso começou a repensar a escolha. Agora na quarta fase da licenciatura, se diz feliz. “Nenhum dos meus alunos vai sair da aula como eu saía, sem conhecimento”, garante.  Marília é uma dos 15 bolsistas de química do Pibid-UFSC, Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica, da Universidade Federal de Santa Catarina.

 

 

 

Dois professores da UFSC coordenam os bolsistas e mais cinco professores que reforçam sua formação, cada um de uma escola diferente da rede pública de ensino médio da Grande Florianópolis. Um dos objetivos do Pibid, projeto financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é contribuir para o aumento das médias das escolas participantes do Enem. Os estudantes trabalham por 10 horas semanais nas cinco instituições públicas escolhidas. Considerando que cada escola tenha pelo menos uma turma por série do ensino médio, o projeto atende na região, no mínimo, 650 alunos.

 

Este ano, os bolsistas se reuniram em um “túnel do tempo”, como eles mesmo dizem. No estande da Semana de Pesquisa e Extensão (Sepex) da UFSC em homenagem ao Ano Internacional da Química, os universitários se revezaram para ensinar um público variado, de crianças a idosos. O cenário foi montado com poucos recursos e muita criatividade. Na entrada, um “filósofo” vestido com lençóis discursava sobre a origem da matéria e a teoria dos quatro elementos. O espaço, decorado com papel pardo e crepom, era pequeno, passavam duas pessoas de cada vez.

 

Um dos coordenadores do projeto, o argentino Santiago Francisco Yunes vive há 30 anos no Brasil e ensina química geral na UFSC desde 2006. Ele lembra da importância das ciências básicas, como matemática, física e química, para a sociedade. Yunes afirma que “de medicamentos a celulares, tudo passa por ciência básica”. Explica que o Ipad, por exemplo, passa pela purificação do silício, um processo químico. Sobre o estande dos seus alunos na Sepex, diz que gostaria de formar não apenas melhores professores para o ensino médio, mas “professores que despertem nas pessoas uma vontade de conhecer melhor a ciência”.

 

Saindo do túnel, um estande ao lado, também do Pibid, trazia mais exemplos práticos sobre o assunto. O aluno da 6ª fase de química Willian Milani, 23, havia captado água da chuva do dia 18 de outubro para análise. No dia, as cinzas de um vulcão chileno atingiram Florianópolis e era possível ver uma camada não muito espessa de fuligem sobre os carros. A amostra continha uma concentração de resíduos sólidos 100 vezes maior que a mesma quantidade de água potável. Milani explicou sorridente para dois jovens que a chuva que caiu em Floripa foi uma chuva básica, não danosa ao nosso organismo. “As cinzas podem ser danosas ao sistema respiratório, mas a chuva não”, ouvia com atenção o casal.

 

E assim, com experimentos sobre alquimia, lei de conservação das massas e modelos atômicos, os futuros professores falam com admiração de Lavoisier, Rutherford e Marie Curie. Empolgados, tentam melhorar a situação do ensino público no país esperando um dia participar de um outro túnel do tempo, onde perto da saída possam falar também com orgulho da evolução da educação no Brasil.

 

O que é o Pibid

 

O Pibid, Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, é uma oportunidade de começo de carreira a estudantes de licenciatura. Os universitários participantes dão aula em escolas com média baixa em índices de qualidade de educação e no Enem. O principal objetivo do programa é a criação de um vínculo duradouro entre os futuros professores e a rede pública de ensino.

O programa, criado em 2007 pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pesoal de Nível Superior), deve atingir a marca de 45 mil bolsistas no próximo ano. Entre universidades e institutos, 146 instituições colaboram com o projeto e 1938 escolas públicas são beneficiadas.

Última atualização em Ter, 29 de Novembro de 2011 17:35
 

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