Pesquisa analisa a inclusão no ensino em Florianópolis
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Escrito por Lumika   
Seg, 29 de Novembro de 2010 18:03

Já se passaram duas décadas desde que Florianópolis começou a trabalhar com educação especial. Em 1988, foi a criada a primeira equipe para articular as ações inclusivas na rede municipal de ensino. Nos anos 90, a política procurava adequar o aluno à escola e a ideia de que não deveriam existir dois sistemas educacionais distintos, e sim um único, já era divulgada.


Para entender como está articulada essa política de inclusão, a professora Maria Helena Michels apresentou em 2006 para do Departamento de Estudos Especializados em Educação a proposta da pesquisa “A reorganização da rede de ensino de Florianópolis na perspectiva da educação inclusiva: formas organizativas do trabalho pedagógico e formação de professores”. A pesquisadora tinha acabado de ingressar na UFSC e obteve apoio do Funpesquisa para realizar o estudo.

Durante a avaliação, foram feitas pesquisas documentais e entrevistas com profissionais da Gerência de Educação Especial. A pesquisadora concluiu que a educação especial em Florianópolis é organizada, mas em uma perspectiva. A proposta assenta-se na compreensão da inclusão como uma prática, para a eliminação de barreiras. Mas essa visão acaba colocando a educação dos alunos especiais em termos de capacidades individuais. “As crianças têm direito de estar ali, e elas estão. São atendidas em um serviço que a gente chama de AEE, o Atendimento Educacional Especializado. Mas como fica a classe comum? E a professora do primeiro ano, que tem alunos com diferentes diagnósticos de deficiência na sala?”

O AEE foi iniciado em 2003, atendendo portadores de deficiência visual e auditiva. Com o tempo, o atendimento à deficiência física, deficiência mental e altas habilidades foi inserido. O sistema está organizado nas salas multimeios, no CAP (Centro de Apoio Pedagógico de atendimento à deficiência visual), e no trabalho pedagógico dos auxiliares de ensino nas classes regulares da educação infantil e do ensino fundamental.

São 16 salas multimeios em escolas básicas e três em creches. Elas funcionam como pólos, atendendo também outras unidades de cada região. Todas têm, no mínimo, duas professoras especializadas que possuem ou graduação em Pedagogia com habilitação em Educação Especial ou licenciatura em Educação Especial em uma de suas áreas específicas. “Às vezes acontecem remanejamentos, mas por demanda. Por exemplo, quando um professor consegue sozinho trabalhar em um pólo, remanejamos o outro para um lugar com maior necessidade”, explica a assessora pedagógica da Gerência de Educação Especial, Adriana Argenta.

O atendimento educacional especializado não deve se restringir ao atendimento do aluno no contra-turno, horário alternativo ao do ensino regular. Engloba também a atuação do professor junto à classe comum. “O professor de 1ª a 4ª série, de 5ª a 8ª ou da educação infantil, provavelmente já recebeu ou receberá algum curso de formação continuada oferecido pela prefeitura. Mas eles não têm a formação específica para trabalhar com educação inclusiva”, afirma a também assessora pedagógica da Gerência de Educação Especial, Raquel Schappo.

Em relação à formação de professores, as ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Florianópolis englobam seminários que são oferecidos em parceria com o Ministério da Educação. A cidade, juntamente com mais quatro de Santa Catarina, é uma das escolhidas pelo Ministério da Educação para ser pólo de formação. Além desses seminários, é oferecida formação continuada aos professores da educação infantil e do ensino fundamental.

Apesar da posição de Florianópolis como núcleo de formação, as assessoras da Gerência em Educação Especial do município concordam que os professores saem da faculdade sem preparo para o trabalho de inclusão. Raquel Schappo explica que o professor do AEE atende a todas as deficiências. Ele não é especializado em trabalhar apenas com cegos ou surdos. “É uma demanda grande, aproximadamente 300 crianças. Atender a todos os alunos especiais dá mais trabalho, o professor tem que se atualizar continuamente, a formação desses profissionais acontece em sala de aula, em serviço. A faculdade realmente não prepara nenhum profissional para trabalhar em AEE.”

Adriana Argenta enxerga problemas com os professores do ensino regular – da educação infantil, das séries iniciais e, principalmente, das áreas, como Matemática, Química, etc. “Eles recebem uma formação bastante limitada no nosso entendimento. Acompanhamos de perto as escolas e observamos os novos professores chegarem não sabendo lidar com o deficiente, com gênero, com dislexia, com doenças mentais. É necessário correr atrás de formação continuada, tanto para o professor do AEE que deve estar se especializando na parte específica, quanto para o professor do ensino regular”, conclui.

A pesquisadora Maria Helena Michels observou que a educação especial continua num espaço específico. “A gente vê os slogans: a inclusão para todo mundo é um direito. Mas o que é que mudou na organização das escolas para atender os alunos especiais?” Para responder esta e outras perguntas – o que as crianças fazem no atendimento especializado que as ajuda a lidar com o conhecimento na classe comum? os professores da classe comum recebem orientação? como isso funciona? – a professora do CED iniciou outro projeto em 2009. O estudo procura perceber como se dá a articulação entre o atendimento educacional especializado e o ensino regular.

Avaliação das políticas de educação especial em Santa Catarina

Outro projeto da professora Maria Helena Michels, de 2008, foi expandir a análise feita em Florianópolis a seis municípios do estado. Chamada “A reorganização de redes municipais de ensino na perspectiva da educação inclusiva em Santa Catarina: formas organizativa do trabalho pedagógico e formação de professores”, a pesquisa teve apoio da Fapesc e coletou documentos como planos municipais, leis orgânicas, projetos e propostas para a educação especial e materiais de divulgação, nas secretarias de educação de Blumenau, Chapecó, Florianópolis, Lages, Joinville, São Bento do Sul e Tubarão.

O mapa interativo abaixo mostra alguns resultados:

 

 

 

Última atualização em Qua, 06 de Abril de 2011 14:23
 

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