Do plantio à colheita: a trajetória do projeto
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Escrito por Lumika   
Qui, 30 de Setembro de 2010 16:27

A ideia de incentivar o cultivo de plantas medicinais, aromáticas e condimentares (PMACs) partiu do MST, que procurou parcerias para o desenvolvimento de ações concretas na área. No ano de 2007, o projeto “Produção e industrialização de plantas medicinais, aromáticas e condimentares: resgate cultural, viabilidade técnica, econômica e comercial nas áreas de assentamento de reforma agrária da região norte de Santa Catarina” foi aprovado pelo CNPq.

 

 

Segundo o relatório técnico, a finalidade da ação é investigar as possibilidades de produção e industrialização dessas plantas com duplo objetivo: promoção de saúde e geração de trabalho e renda em áreas de assentamento de reforma agrária. Mas outros fatores são englobados, como a valorização do trabalho da mulher e do idoso, a inclusão de cultivos múltiplos e benefícios ambientais, já que a produção das PMACs exige um sistema de produção limpo.

A investigação uniu quatro campos do conhecimento: a farmacologia, a pedagogia, a economia e a agroecologia. O campo da farmacologia foi necessário para fazer o levantamento das plantas terapêuticas chave para saúde e comercialização. A pedagogia ajudou, ao longo do primeiro ano de execução do projeto, em um trabalho educativo com as famílias assentadas para resgatar no plano cultural a valorização do cultivo e do uso das plantas. A contribuição da economia foi determinar quais plantas possibilitariam geração de renda e trabalho. Através da agroecologia, conceitos e práticas de sustentabilidade foram repassados.

Para atingir todas as famílias englobadas nas metas do projeto, a opção foi formar agentes comunitários de saúde que pudessem multiplicar o que aprenderam. Cada comunidade escolheu um ou mais representantes para participar das atividades. Ao final de quatro encontros realizados em 2008, o primeiro ano da iniciativa, 20 agentes foram formados.

 


A formação incluiu discussões sobre agroecologia e saúde popular, atividades práticas de compostagem, elaboração de produtos a base de PMACs, treinamento de primeiros socorros e diagnóstico prévio de alguns problemas recorrentes entre a população rural. Kits médicos que continham esfingmanômetro, estetoscópio, termômetro e o livro Onde Não Há Médico, foram distribuídos.

Um dos encontros proporcionou a elaboração de um inventário das PMACs, que foi pensado com o objetivo de levantar – mesmo que aproximadamente – o que as famílias já plantavam, consumiam e conheciam das plantas. Em outra ocasião, Cirino Corrêa Júnior, do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural, palestrou sobre secagem, beneficiamento, armazenamento e comercialização das plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Outra atividade foi manipulação de tinturas, xaropes e cosméticos que contou com a contribuição do grupo Linha Verde do curso de Naturologia da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. Em 2009, a equipe do LECERA acompanhou as atividades desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde nas suas respectivas áreas de assentamento ou acampamento.

Neiva Vieira, moradora do assentamento Justino Drazsewisky e produtora de plantas medicinais há muitos anos, conta que o projeto ajudou a população a desenvolver um conhecimento técnico sobre aquilo que já era cultivado por eles. Nomes científicos, toxicidade das espécies e produção de cosméticos a partir das plantas, tudo isso foi novidade e aprendizado. Hoje, produtores de Justino Drazsewisky, Três Rosas e Norilda da Cruz vendem os cosméticos para feiras e também direto para o consumidor.

Financeiramente, o projeto disponibilizou recursos para a construção de três viveiros nos assentamentos Justino Drazsewisky, Três Rosas e Manoel Alves Ribeiro. A produção das mudas está em fase de adaptação.

Última atualização em Qui, 07 de Abril de 2011 22:56
 

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